Freguesia de Paços
A freguesia de Paços enquadra-se num monte sobranceiro ao rio Vizela, proporcionando magníficos panoramas paisagísticos que foram superiormente retratados por Camilo Castelo Branco no romance Memórias do Cárcere. O insigne escritor ultrarromântico passou aqui longas temporadas na conhecida Casa do Ermo, solar pertencente à família Vieira de Castro, encontrando neste local inspiração para parte da sua obra e da sua vivência literária.
O Padroeiro
O padroeiro da freguesia é São Vicente. A mais antiga referência conhecida a esta localidade remonta às Inquirições de 1220, onde surge designada por “De Sancto Vicentio”, pertencente ao julgado de Travassós.
Em 1528, é já mencionada como “São Vicente de Paços”, integrando então o concelho de Guimarães, do qual fez parte até 1853, ano em que passou a integrar o concelho de Fafe.
Contudo, a ocupação humana deste território é muito mais antiga, como comprovam importantes vestígios arqueológicos, nomeadamente a construção megalítica do Outeiro das Corças e os indícios de uma antiga fortificação na zona de Lustoso.
O Brasão
O brasão da freguesia evidencia, através da sua simbologia, alguns dos elementos mais representativos da identidade local.
Destacam-se os dois corvos afrontados, iluminados de prata, numa clara alusão ao orago da freguesia, São Vicente, cujo principal atributo iconográfico é o corvo. Segundo a tradição, estas aves teriam velado o corpo do santo após o seu martírio.
A faixa negra semeada de luzeiros de prata e ouro representa a forte tradição pirotécnica da freguesia. Desde há várias gerações que os pirotécnicos de Paços se dedicam à animação de festas e romarias em todo o país, sendo reconhecidos pela qualidade e prestígio do seu trabalho.
A simbologia heráldica integra ainda uma referência especial à população de Paços, verdadeiro elemento central da comunidade. A letra colocada em maior destaque representa todos os habitantes da freguesia, reconhecendo-os como a sua principal riqueza e razão de ser. São as pessoas que preservam as tradições, promovem o desenvolvimento local e garantem a continuidade da identidade histórica e cultural de Paços.
Paços ou Passos?
A toponímia local constitui igualmente um importante testemunho histórico e arqueológico. Na freguesia existe o lugar de Crasto, cuja designação poderá estar relacionada com um antigo povoado castrejo. Por sua vez, o lugar da Torre, referido por Augusto Vieira em 1887, poderá estar associado a uma antiga residência senhorial fortificada de época medieval.
Ao longo dos tempos, o principal topónimo da freguesia gerou alguma controvérsia quanto à sua correta grafia. A designação “Paços” surge na documentação medieval sob diversas formas, nomeadamente: Paacios, Paaços, Pacios, Palaciis, Palatios e Palatio, todas elas apontando para a existência de uma residência senhorial ou palácio.
Perante a dúvida sobre a utilização de Passos ou Paços, a Junta de Freguesia solicitou um parecer à Sociedade da Língua Portuguesa, que concluiu dever utilizar-se a forma Paços. Segundo aquele organismo, até ao século XVI a grafia era sistematicamente registada com a letra “ç”, estando o topónimo diretamente relacionado com o termo latino palatium, que deu origem à palavra portuguesa Paços, associada a palácio ou residência senhorial.
Assim, a grafia considerada linguisticamente correta é Paços.
Todavia, a Associação dos Arqueólogos Portugueses, aquando da Ordenação Heráldica do brasão, bandeira e selo, utilizou a designação Passos, uma vez que a alteração oficial do topónimo dependia de aprovação pela Assembleia da República.
Com esse objetivo, a Junta de Freguesia deliberou, em 18 de dezembro de 2018, propor a alteração da grafia de Passos para Paços. A proposta recebeu parecer favorável da Assembleia de Freguesia, da Câmara Municipal de Fafe e da Assembleia Municipal.
Posteriormente, a Assembleia da República aprovou a alteração toponímica em sessão plenária realizada em 9 de junho de 2020, tendo a mesma sido publicada em Diário da República, através da Lei n.º 22/2020, de 3 de julho, consagrando oficialmente a designação PAÇOS.
A População
A comunidade de Paços constitui o principal património da freguesia e a base da sua identidade. Formada por gerações de homens e mulheres profundamente ligados à sua terra, destaca-se pelo espírito de trabalho, solidariedade, associativismo e preservação das tradições locais.
É graças à sua população que a freguesia mantém viva a sua história, o seu património cultural e os valores que a caracterizam. Por essa razão, a representação simbólica da freguesia atribui especial destaque à letra que simboliza os habitantes de Paços, homenageando todos aqueles que contribuem diariamente para o progresso e valorização da comunidade.
A população é, assim, a maior riqueza de Paços e a principal responsável pela construção do seu presente e do seu futuro.





